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Pré-natal: cuidados reduzem óbitos da mãe e do bebê

Pré-natal: cuidados reduzem óbitos da mãe e do bebê

Somente em 2010 houveram no estado 23 mortes maternas











Lauro Inagaki alerta sobre a importência do pré-natal (Fotos: Portal Infonet)


O acompanhamento pré-natal é essencial para garantir uma gestação saudável, um parto seguro e também para esclarecer as dúvidas das futuras mães. Nesse período é importante que a gestante tenha uma atenção pré-natal e puerperal qualificada e humanizada, a fim de que o número de mortalidade dos bebês e da mulher seja diminuído. Para tanto, a assistência necessita contemplar ações de prevenção e promoção da saúde, além do diagnóstico e tratamento adequado dos problemas que ocorrem no período da gravidez. Em todo o estado de Sergipe há aproximadamente 40 mil gestantes.

As afirmações são do médico ginecologista e obstetra, Lauro CouitiInagaki Filho. Ele, que exerce a função há mais de 20 anos, explica que a falta de um acompanhamento durante a gestação, pode ocasionar a morte da mulher, os abortamentos e a pré-eclampcia. Está última está associada à deficiência no diagnóstico precoce, uma vez que não existe forma de prevenção. Contudo, existe como detectá-la precocemente através do pré-natal.











Gráfico demonstra que as mortes caíram 50% de 2009 para 2010 (Dados da SES)


O obstetra ressalta ainda, que este acompanhamento deve ser feito por pessoas capacitadas para realizar os procedimentos. “Muitos dos problemas que nós temos, é que alguns profissionais querem fazer medicina de cartilha o que gera erros no diagnóstico. O que ocorre é que quem está atendendo dentro da rede pública, não tem formação da área de obstetrícia. A gente observa é que muitas vezes há a dificuldade desses profissionais de fazer uma identificação precoce. O correto é que um profissional obstetra acompanhe o processo gestacional. Assim, será mais fácil detectar a pré-eclampsia e outras doenças que acometem a gestante”, explica.

O pré-natal envolve a mãe e o bebê

Segundo Inagaki, o pré-natal começa desde que a mulher decide engravidar. Contudo, na eventualidade de uma gravidez não planejada, o ideal seria a grávida dar início ao acompanhamento no primeiro atraso menstrual. Deve-se começar a tomar ácido fólico 3 meses antes da engravidar. O pré-natal já começa quando a mulher descobre a gravidez. Neste caso, a gestante deve buscar um diagnóstico médico através de laboratório e ultrassonografia. "Nesse período é importante que o médico faça a datação da gravidez, uma vez que permite  definir claramente a idade gestacional. Essa datação é muito importante para o prognostico da gravidez. O pré-natal tem como finalidade detectar doenças na mãe e no feto, dentre outras orientações, como as nutricionais  e as mudanças que acontecem com o bebê durante os período da gravidez", alerta.











André Baião confirma deficiência de profissionais , mas garante que o CAISME consegue atender demanda


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Ainda segundo Inagaki, que trabalha na Maternidade Santa Isabel, em Aracaju, o problema de detectar os casos da má evolução do parto e do puerpério é porque as pacientes, cuja gestação é de alto-risco ou patológica, não tiveram a detecção precoce e isso, segundo ele, ocorre constantemente. “Existem casos que o profissional não dá o acompanhamento e a gestante sobrecarrega a maternidade, uma vez que essa demanda de pré-natal deixa deser feita na unidades de saúde e vai para o pronto-socorro da maternidade, onde os profissionais já estão sobrecarregados. Em Aracaju cresceu o número de partos, mas não o de leitos efetivos. Tem dia que tem três pacientes na mesma maca. Agora imagine o profissional trabalhando nessas condições? Além da preocupação da hora do parto, os profissionais ainda têm que assistir as pacientes que precisam do pré-natal”, observa.

SES











Rejilânia fez o pré-natal e evitou a morte dos seus bebês prematuros.


O coordenador do Programa Saúde da mulher da Secretaria de Estado da Saúde, André Baião, admite, que há deficiência de profissional e de leitos no estado. Segundo ele, a demanda aumentou, mas não o número de leitos. Ele afirma ainda, que não há UTI materna na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), mas garante que as gestantes que precisam de UTI são encaminhadas para o Hospital Cirurgia, que funciona como retaguarda.  Baião explica ainda, que há em todo o estado, aproximadamente 40 mil gestantes. “Existe um déficit de enfermeiros obstetra. Geralmente o enfermeiro que faz o parto é porque é capacitado, mas não é suficiente. Contudo, uma das novidades da Rede Cegonha é a parceria com a UFS. A pediatria também é uma deficiência que temos que enfrentar”, diz.

Para atender as gestantes existe o Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM). O Centro disponibiliza serviços de alta complexidade que oferece consultas, exames e procedimentos especializados para a prevenção, diagnósticos e tratamento de doenças da mulher. De acordo com Baião o CAISM realiza cerca de 720 consultas, mas apenas 600 são realizadas. “As mulheres deixam de procurar a assistência muitas vezes por displicência. Em alguns casos as parturientes só procuram o atendimento no período mais avançado da gravidez, quando já está tarde para tratar alguma patologia”, observa.

Mortalidade 

Segundo Baião, a gestante às vezes chega muito tarde e ela perde tempo para identificar as doenças, uma vez que demoram para marcar as consultas. Em alguns casos, a agenda estava cheia ou porque o município demora a encaminhar. Em 2011 o CAISME realizou 6.331 consultas. Ainda assim, houveram 23 óbitos maternos em 2010. Baião não soube precisar quantas mortes ocorreram em 2011 e 2012. Segundo ele, um relatório está sendo elaborado.

A secretária do lar, Ana Carla dos Santos, teve três filhos, dos três apenas os dois primeiros tiveram acompanhamento pré-natal. Ela conta que na terceira gravidez encontrou dificuldades para conseguir um médico obstetra e que fora atendida algumas vezes por enfermeiros. Contudo, admite que deixou de buscar o acompanhamento por causa do trabalho. Por conta disso, ela teve João Vitor,  com quase 5 kg através do parto normal. A força para ter o bebê foi tamanha que ele nasceu com paralisia braquial obstétrica (PBO), uma paralisia do membro superior que pode ocorrer com a criança no momento do parto. O bebê passou por uma sequência de tratamentos e teve de volta o movimento do braço esquerdo. “Admito que se eu tivesse feito o acompanhamento correto, os médicos saberiam o peso do bebê e não teria forçado um prato normal. Ele fez seções de fisioterapia e agora está com o braço com os movimentos normais”, conta.

Já Rejilânia Farias, mãe de gêmeos, conta que os bebês nasceram prematuros com 1.300 kg. Segundo ela, durante a gravidez foi feito o pré-natal, mas seus filhos nasceram prematuros. “Se não fosse esse acompanhamento, não sei se meus filhos estariam vivos”, relata. Os bebês passam pelo método “mamãe canguru” e já ganharam peso. Segundo a mãe, os bebês nasceram de parto Cesário, mas estão respondendo bem ao tratamento que já duram 2 semanas.

Por Eliene Andrade


 

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